Todo mundo adora falar de multicanalidade. Parece até senha secreta para entrar no clube das empresas modernas: “temos loja física, e-commerce, vendemos em marketplaces, redes sociais e até por WhatsApp!”.
Ótimo. Mas me diga: você já fez as contas de quanto isso realmente está colocando no seu bolso?
Spoiler: em muitas empresas, a “estratégia multicanal” mais parece uma colcha de retalhos costurada às pressas. Resultado? Canais brigando entre si, estoque perdido em algum lugar misterioso e cliente recebendo a clássica resposta “não temos esse produto no sistema” (mesmo olhando para ele na vitrine).
A ilusão do “quanto mais canal, melhor”
O Brasil tem 1,5 milhão de empresas de moda e vestuário, segundo dados da Abit. E sabe o que muitas delas fazem? Abrem conta em todos os marketplaces, colocam anúncio em rede social, fazem promoção relâmpago no WhatsApp e depois… se perdem.
O problema não é a quantidade de canais, é a falta de integração inteligente. Porque vender em cinco lugares e controlar em dez planilhas não é estratégia, é um convite ao caos. E caos, convenhamos, não paga boleto.
Estoque único: o herói invisível
Quer evitar cliente frustrado e margem evaporando? Estoque único. Um produto, uma quantidade, visível em todos os canais ao mesmo tempo.
Exemplo prático (e caricato, mas real):
- Cliente compra a mesma calça jeans na loja física e no marketplace em menos de 2 horas.
- Você só tinha uma no estoque.
- Resultado: um cliente feliz, outro indignado, e você virando equilibrista de circo para resolver.
Com um ERP decente (sim, estou falando do Vesto, porque não vou fingir neutralidade aqui), o sistema “sabe” que aquela calça só existe uma vez na vida, e não em versão multiverso.
Margem não se multiplica por canal
Muita gente acha que vender em marketplace é sinônimo de lucro automático. Só esquece das taxas (que chegam a 20% a 25% do valor da peça) e do frete. Por isso, se a sua precificação não está preparada, parabéns: você virou patrocinador do marketplace.
Multicanalidade inteligente significa analisar a margem de cada canal e decidir: onde vale a pena investir mais? Onde é só vitrine? Onde o esforço é maior que o retorno?
O cliente não quer saber do seu caos
No fim das contas, o cliente não quer saber se você tem cinco sistemas, três planilhas e um sobrinho cuidando do Instagram. Ele quer comprar, receber no prazo e, se possível, voltar.
Se sua operação interna é um caos, ele sente. E quando ele sente, ele não volta. Simples assim.
Conclusão: multicanalidade não é moda passageira
Multicanalidade é o presente e o futuro do varejo de moda, mas precisa ser feita com estratégia. Dessa forma, não adianta abrir canais sem ter clareza de estoque, margem e integração.
A pergunta que fica é: sua empresa está usando os canais para gerar lucro real ou só para fazer volume bonito em reunião de diretoria?